PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 077/2025 - Processo: 4030/2025
Ementa
DISPÕE SOBRE – CONCEDER O TROFÉU GRANDE EMPRESÁRIO DO ANO AO SENHOR ELOI MARCHETT E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
Texto Integral
A MESA DA CÂMARA MUNUCIPAL DE RONDONÓPOLIS, ESTADO DE MATO GROSSO, NO USO DE SUAS ATRIBUIÇÕES LEGAIS,
FAZ SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE RONDONÓPOLIS, ESTADO DE MATO GROSSO, DECRETOU E EU PROMULGO E SANCIONO O SEGUINTE DECRETO:
Art. 1º- Fica concedido o “TROFÉU GRANDE EMPRESÁRIO DO ANO” ao Senhor ELOI MARCHETT.
Art. 2º - A data de entrega da honraria será marcada pela Câmara Municipal, que comunicará a homenageada.
Art. 3º - Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam se as disposições em contrário.
Justificativa
Eloi Marchett
Eloi Marchett chegou ao Cerrado em 1974 para plantar arroz em uma área arrendada, quando o estado de Mato Grosso ainda não havia sido dividido. Três anos depois, estabeleceu-se definitivamente em Rondonópolis, atraído pelas terras acessíveis e pelo asfalto recém-construído. Em uma região sem energia elétrica, telefone ou infraestrutura mínima, viveu por anos em um trailer. Com espírito empreendedor, trabalho incansável e visão estratégica, contribuiu decisivamente para transformar Rondonópolis na capital brasileira do agronegócio. Foi dele a iniciativa de construir o primeiro galpão de armazenagem de soja da cidade onde hoje está instalada a planta da Bunge, sua parceira há mais de três décadas.
Recém-formado em Zootecnia, Eloi havia sido aprovado em concurso da Embrapa e se preparava para mudar-se para Brasília quando o irmão Sérgio o convidou a investir no Mato Grosso. A família começou arrendando 500 hectares em Maracaju (atualmente Mato Grosso do Sul), cultivando arroz. Diante dos altos preços das terras na região, seguiram rumo ao norte até encontrarem em Rondonópolis uma oportunidade promissora. Compraram duas fazendas, uma delas às margens do asfalto.
Apesar do potencial agrícola, a região carecia de infraestrutura. Para se comunicar com a família, Eloi enfrentava viagens de cinco horas até Cuiabá. Morava em um trailer debaixo de uma árvore e, durante visitas dos pais, cedia o espaço para dormir em um rancho improvisado com lona preta. Criativo, encontrou soluções para lidar com o calor intenso e a falta de recursos como improvisar um bebedouro com vaso de barro enterrado ou abastecer-se de verduras com caminhoneiros vindos de São Paulo.
Nos primeiros anos, não havia folgas, feriados ou datas comemorativas. A logística era desafiadora: sem armazéns locais, a produção de arroz era levada a Maracaju, Itumbiara (GO) ou Uberlândia (MG). No início dos anos 1980, os Marchett passaram a plantar soja da variedade cristalina, adaptada ao Cerrado pela Embrapa onde Eloi teria trabalhado, caso não tivesse seguido outro caminho. Em 1993, participou da criação da Fundação MT, dedicada à pesquisa de campo agrícola, com quem mantém vínculo até hoje.
Diante da falta de compradores locais para a soja, Eloi fundou com a Louis Dreyfus o primeiro armazém da cidade, localizado às margens da BR. Anos depois, comprou a parte do sócio e vendeu a unidade para a Ceval (atual Bunge), que ali construiu sua fábrica de óleo ainda em operação. A paixão pela engenharia o levou a acompanhar pessoalmente todas as construções nas propriedades do grupo.
Nos anos 1990, ele e o irmão separaram as operações. Assim nasceu o Grupo Carolina nome em homenagem à avó, que hoje cultiva 43 mil hectares de soja e 30 mil de milho, todos em terras próprias. São sete fazendas distribuídas entre Rondonópolis, Primavera do Leste e Nova Mutum. A operação emprega 430 pessoas, conta com uma frota de 200 caminhões, estrutura de armazenagem para mais de 700 mil toneladas e produção própria de sementes.
Mesmo aos 70 anos, Eloi continua ativo, trabalhando diariamente em seu escritório na casa onde viveu após deixar o trailer. Valoriza profundamente a educação e incentivou os quatro filhos Melissa, Marcella, Ana Carolina e Eloi Filho a estudar no exterior, assim como ele fez nos Estados Unidos, em 1966. Hoje, Melissa e Marcella participam dos negócios; Ana Carolina vive na Escócia e Eloi Filho está na faculdade.
Orgulhoso da trajetória que ajudou a construir, Eloi Marchett acredita que o sucesso é resultado de dedicação, coragem, disciplina e, sim, um pouco de sorte. Para ele, mais importante do que crescer continuamente é garantir que o legado permaneça sólido para as próximas gerações: “O que vier agora é para eles”, diz, referindo-se aos filhos.
Com a serenidade de quem enfrentou o desconhecido e venceu, Eloi enxerga em Rondonópolis o ponto de partida de uma revolução agrícola que transformou o Cerrado e o Brasil. “Quem veio para cá, veio para trabalhar, criar raízes e construir uma vida. Quem tinha dinheiro, não vinha. Mas quem tinha vontade, ficou e fez história.”
Análise Inteligente do Projeto
Áreas de Abrangência do PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO
| Arquivo | Data | Tamanho |
|---|